A verdade da mentira...

13-11-2018

Nos últimos dias, tem vindo "à baila" a proliferação e partilhas consecutivas das chamadas Fake News, conhecidas por cá como "notícias falsas", e que teimamos em divulgar.

A invasão em particular que nos chega através das redes sociais, leva os menos conhecedores e mais incautos a partilhar o turbilhão de notícias que nos chegam, sem perceberem ou distinguirem as que são falsas ou verdadeiras.

Levados pelo teor da notícia, geralmente apelativa, ou em que cujo cariz leva a um ímpeto de partilha, na maioria das vezes sem nos preocuparmos sequer em entrar no próprio site e confrontar com outras que o mesmo possa ter divulgado, já que algumas destas páginas apresentam a informação de que podem ser compostas de notícias não reais. Também em Portugal, surgem aqui e ali, escondidas essas mesmas "não notícias" , maioritariamente a visar  quer situações dirigidas à política, quer dirigidas ao futebol, mas é na parte das falsas notícias melo dramáticas que quanto a mim se torna mais perigosa a partilha, sobretudo quando mencionam nomes de pessoas ou entidades que por esta forma se podem ver prejudicadas.

Sabemos o quanto estas informações falsas influenciam decisões no dia a dia e o impacto quase sempre negativo das mesmas. Sabemos também o peso que as mesmas têm perante o cidadão quando somos levados a acreditar que a falsa notícia é verdadeira. Quem não percebeu a intenção de se colocar falsas notícias durante uma campanha para um acto eleitoral? Ou perante um julgamento? Ou mesmo em casos de teor passional?

Por exemplo, no que diz respeito ao futebol, há sites pré-dedicados que propagam tudo aquilo que é favorável ao clube do emissor da falsa notícia, e esse é só um exemplo, o qual partilha após partilha, chega a convencer os menos conhecedores, tornando-se viral nas redes sociais e prejudicial para os seus adversários, ou quando de actos eleitorais chegam a ser convincentes e podem incutir os eleitores em tendências mais ou menos trabalhadas.

Será a situação portuguesa diferente do que acontece cada vez mais por esse mundo fora? Não, não é, e cada vez se nota mais a influência dessas redes de propagação de informação falsa e o papel relevante (assente na mentira) que podem a vir a ter em cada caso.

Quem tem andado atento à informação, viu recentemente, alguns meios de comunicação fazerem a denúncia de vários sites a ter em conta, e a evitar. É sabido que estas páginas de informação falsa sobrevivem das partilhas e dos cliques nas mesmas, fruto da publicidade que muitos abrem (ou obrigam a abrir) para fazer a leitura completa dessas mesmas notícias, sendo certo que algumas têm títulos que nos levam a acreditar serem sérios, mas que na verdade difundem o que é falso e disso sobrevivem.

Basta fazermos uma pesquisa "in net" dos sites ou páginas de notícias falsas em Portugal e logo nos aparece uma mão cheia de títulos, como por exemplo os sites: "Direita Política" ou "a Voz da razão" ou "Bombeiros24" ou "Lusopt" entre tantos outros. Alguns têm mesmo a informação, se neles entrarmos, que "algum do conteúdo pode ser falso ou ter origem não verdadeira". Resta-lhe a si, e a nós agora, saber distinguir o trigo do joio, e não esquecer que, quanto mais populares forem, mais visíveis e mais rentáveis serão para quem os dirige, já que se transformam num círculo vicioso, que só a nossa observância e perspicácia pode travar.

(texto original, de opinião, escrito à margem do novo AO)

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