Integração ou morte anunciada ?

30-10-2019

Sou um ser humano. Sou acima de tudo, a favor que se preserve o direito à vida. Sou acima de tudo, um ser que sente, e vive uma forma de ver as coisas, da forma mais correcta, perante o que me foi incutido ao longo da minha já extensa vida.

Não posso deixar de ficar perplexo, quanto ao resultado da votação, por parte do Parlamento Europeu e seus deputados, cuja decisão caminha a passos largos, para aquilo que julguei nunca ser possível, chegando ao ponto de não aceitar, o não querer dar a mão a outrem, deixando-o à sua triste sorte, no que diz respeito ao êxodo dos refugiados para a Europa, e seu salvamento no Mediterrâneo.

Dirão alguns: - Nós não temos culpa, que os que procuram refúgio em outros países se submetam a condições que por si, os podem conduzir à morte. Outros justificam-se, que é preciso travar a chegada desenfreada à Europa, por parte de milhares, os quais alguns, podem ser terroristas ou simplesmente outros, ligados ao tráfico humano. Sim, podem ser razões a considerar, mas será que isso implica a não ajuda? Será que todos estarão condenados a ser "crucificados?

Não consigo entranhar em minha cabeça, que Países que discutem e procuram distribuir entre si números de refugiados para uma reintegração possível, sejam os mesmos depois a votar contra o salvamento, deixando cada um à sua sorte... à sua má sorte.

Foram dois votos. Dois votos apenas separaram o que seria uma boa de uma má acção, recaindo a votação quanto a mim numa má escolha. É verdade que foi uma maioria a votar contra, é verdade também, que essa opção de escolha se diz democrática, mas é acima de tudo verdade, que o Mundo está a ficar virado do avesso, e nós, os outros, continuamos impávidos a assistir a uma derrocada do que seria eticamente aconselhável.

Várias propostas foram chumbadas, em que algumas poderiam minimizar a dor de muitos, se em boa prática o seu conteúdo fosse levado "à letra", mas não. Põem-se de lado ideologias de princípio e nega-se o direito ao salvamento de muitas vidas.

Não é este o Mundo em que me revejo, dois votos apenas separam de hoje em diante, o direito à vida e a condenação à morte, quando tudo podia ser tão diferente, e só dois votos mais bastavam... dois votos, e isso dói, dói saber, que esses dois votos podiam estar em duas dessas pessoas que nos representam... dois votos apenas :( É verdade que muitos outros votaram contra, mas caraças, dói "cá dentro", ainda mais quando, quem tem no seu génesis o espírito cristão e defesa da vida humana, podia fazer a diferença e não o fez. Muitos contribuíram para o chumbo da(s) proposta(s), mas entre esses estão os do meu País, e esses falharam como outros é certo, mas falharam.

É verdade que a liberdade permite votar contra, mas que nunca seja contra o direito à vida. É estranho que, num parlamento onde se aprovam políticas de integração dos refugiados, se torne deveras caricato, que os mesmos se pronunciem negativamente no que diz respeito a salvar vidas humanas. Quer dizer, primeiro nega-se a ajuda, e depois pensa-se na integração. :( Raios os partam , mais à sua forma de pensar.

Unam-se, revejam a questão de integração, trabalhe-se em prole da sustentação da vida humana, reforce-se a vigilância, force-se até se for caso disso o seu regresso aos países de origem, mas nunca se negue o direito ao salvamento de quem quer que seja.


(é este um texto de opinião, escrito à margem do novo AO)


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