muito... pouco... ou nada ?

08-12-2018

Sem querer ferir outras opiniões acerca da atribuição das Estrelas Michelin, no que diz respeito aos pratos e à delicadeza do trabalho apresentado por alguns restaurantes, não posso, enquanto apreciador de um bom prato, estar de acordo com o que é apresentado nas escolhas, e aquilo que são os pratos a que me habituei, e que de forma simples e natural, transitaram dos nossos avós até aos nossos dias.

Também é verdade que sobre essa atribuição, não poderei dizer dos sabores, porque, além da maioria dos preços não serem na maioria dos casos compatíveis com a minha carteira, também o que vejo nos pratos que me são apresentados, fica aquém do que os meus olhos gostam de apreciar, num bom prato de comida tradicional portuguesa.

Não me considero um "abusador" de grandes quantidades, revejo-me sim, num bom prato com tudo o que o mesmo compõe e tem direito, na mais natural das formas, sem ter que olhar para minúsculos pedaços, estrategicamente colocados em "enormes" pratos, num qualquer forma de distribuição, salpicados por molhos e cores que tão pouco me dizem e em nada me transportam às memórias de família. Aceito a frase que os "olhos também comem", não nego, mas mal de mim se me cingisse só ao pouco que vejo, mas não... não me acho "digno dessas dietas" e ainda bem.

São mais que muitas as razões pessoais para esta minha apresentação, mas também ninguém tem culpa que seja esta a minha forma de ver as coisas. Quem sou eu para apontar o que quer que seja de "negativo" sobre tal, e respeito de certa forma o que outros podem ou não achar ou concordar, assim como não deixarei de concordar que tem o devido valor e apreciação para quem, os apresenta e consome.

Apresentem-me um prato suculento, tal como sai da panela de uso doméstico, sem retoques feitos "à bisnagada", e que o mesmo contenha todos os sabores e odores a que me habituei, com aquele azeite saído do produtor sem "mais ais ou menos ais" (não posso ir mais além, não vá a Asae bater-me à porta)

Quem não gosta de se sentar a uma mesa, e na simplicidade do serviço saborear calmamente um dos muitos pratos conhecidos pela maioria de nós. Se viajarmos por entre esses muitos sabores tão nossos, a maioria trabalhados da forma mais tradicional possível, outros ainda, resultado da criatividade dos chefs e da sua simplicidade, sem grandes alardes de enfeitamentos e ausentes de minúsculas postas de "quase nada", mas antes guarnecidos do que é tão nosso e tão bom, que nos faça transportar para o topo do melhor e mais genuíno que há de nós e em nós, das nossas tradições e das nossas gentes. 

(texto de opinião, escrito à margem do novo AO)

AF 8 dezembro 2018


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