Parecer ser, e não o ser...

10-11-2018

Assunto deveras delicado, mas que sempre andou lado a lado, direi mesmo de braço dado, com algumas pessoas. 

A preocupação em parecer muitas vezes o que se não é, acabará mais tarde ou mais cedo por ter malefícios, de ordem pessoal e/ou social. Pessoas há, que aos outros se mostram bem, querendo agradar a alguém, ou a um núcleo de pessoas dos quais se pretende fazer parte, sem se aperceberem que nada existe de mais ingrato, que o retrocesso e o que acabarão por perder em relação a si mesmas.

O dia a dia se assim for vivido, acabará por nos transportar a pequenas (ou talvez não só) ilusões, quase sempre assentes em mentiras que o próprio ser procura esconder, mas que as vivendo se vai iludindo e iludindo quem o rodeia, já que perde a noção da realidade, acabando muitas das vezes por não conseguir voltar a "ser verdadeiro".

Essa ilusão leva a que se exiba o que não se é, que se mostre o que não tem, numa alusão de que "nem tudo é o que parece e nem tudo parece o que é", procurando levar uma vida, que não é real com a sua própria vida, com o seu extracto profissional e social ou mesmo familiar, já que se ilude a si e aos outros.

Depois... depois um dia pode ser tarde o querer regressar "à origem", sem que não aconteça uma cobrança por esses mesmos erros. Que não se aposte em imagens que nada mais fazem do que servir de máscara a uma realidade que se pretende esconder.

A vaidade, a cobiça e a inveja, fazem parte desses falsos trajectos que aqui e ali se vão traçando à revelia de uma identidade que deve (deveria) ser preservada e assente na seriedade. Mas não... as tentações surgem como angariadores, que nos oferecem o bilhete para essa mesma viagem de ilusão.

Alguém escreveu um dia que: "Quando a pessoa se deixa seduzir pelas tentações de ego e de vaidade, acaba entregando a vida a uma viagem só de ida, que só acontece como num filme, já que nesse aspecto, tentar competir com o mundo e com os outros, é a mais rápida maneira de se sair derrotado."

Presentemente, esta forma de actuar está muito enquadrada, quer queiramos, quer não, entre as redes sociais, as quais servem tanta vez como patrocinadoras dessas mesmas ilusões, "convidando-nos a partilhar somente aquilo que queremos que os outros vejam, e não aquilo que realmente somos, esquivando-nos a uma verdade que fazemos questão em não mostrar ao mundo. Pois é, meus amigos, nem sempre algo é o que parece, e facilmente encontramos pessoas que estão a agir dessa forma, tanta vez à beira de um precipício, mas que à viva força o negam, como que forçando os outros a pensar que estão bem. E porquê? Porque queremos à força, contra tudo e contra todos, mostrar que somos mais que os outros, que temos mais que os outros, que vivemos melhor que os outros, quando não é verdade. entrando numa situação como se fossem duas pessoas distintas, uma verdadeira e outra em ilusão.

Mas, não só quem assim vive tem culpa "no cartório". A sociedade acredita e adapta-se facilmente a uma imagem de uma pessoa que se nos apresenta vitoriosa, acabando por dar o elogio a quem se nos afigura bonito, rico e perfeito, e isso é o bastante para quem vive na ilusão acreditar que é assim, quando de facto o não é.

Não... Não vá por aí... Não embarque num sonho só para se mostrar que é bem sucedida(o) só porque quer ir mais além custe o que custar. Pode procurar e viver as imagens mais perfeitas, fazer parte das pessoas mais bonitas, frequentar as festas mais chiques, fazer parte das melhores famílias, ter as roupas da moda e até aquele emprego que tudo lhe permite, mas só o faça, se for com base na realidade. Quando tudo isso é verdadeiro e realmente vivemos e temos essa vida, geralmente nos resguardamos ou expomos muito menos. Pelo contrário, quando há demasiada divulgação, e uma fome imensa em aparecer, mostrando ao mundo o que realmente não é, então procure ajuda, antes que possa ser tarde demais. Não queira ser ou fazer parte das Fake News, porque nada será para si mais doloroso, que o risco de vir a ser descoberta(o) e a ilusão ruir, quando tudo o que tiver angariado com essa mesma ilusão lhe trouxer a dor, a boa vida virar amargura, os aplausos se transformarem em apupos, a beleza virar vergonha e a alegria virar tristeza.

(texto próprio inserido em trabalho de curso e escrito à margem do novo AO)

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