Será que nós, os outros, é que agimos mal?

27-12-2018

Perdoem a minha teimosia em comentar coisas desagradáveis, embora acredite que ainda há coisas boas, não posso deixar passar em claro, e mostrar o desagrado perante mais uma situação a contribuir para o descalabro que vai pelo nosso País.

Foi dado a conhecer, esta semana que, a Segurança Social pagou de forma indevida cerca de 700 milhões de euros a milhares de beneficiários, conforme notícia avançado num orgão da comunicação social. Ainda pairou em mim a expectativa de que fosse uma notícia falsa mas, na verdade o que pesquiso, dá-me a entender que é mesmo para acreditar, deixando-me de boca aberta a situação deprimente a que se chegou. Quem tem o poder nas mãos, a nível governamental / económico ou outro, e os maus exemplos que alguns nomes sonantes da área, passam cá para fora, leva a que qualquer pessoa, se veja como na obrigação, de também fazer uma falcatruazita... Isto é, "se os outros fazem, porque não eu?".

Ora vejamos, a Segurança Social fez, (e vai fazendo) pagamentos indevidos aos que acabaram o fundo de desemprego, ou em nome dos que já faleceram, assim como, aos que cessaram as baixas por doença, (mais situações haverá), continuando por má informação dos beneficiários (ou falta dela), a corresponder durante algum tempo mais, ao pagamento dos subsídios a que os mesmos tinham direito até então.

Podem dizer que o Tribunal de Contas solicitou medidas eficazes a evitar estas situações, certo é que elas vão continuando, e para mal dos nossos pecados, só no último ano foram cerca de 700 milhões... Leram bem, 700 milhões de euros.

Como se recupera agora esse dinheiro? Como se podem evitar estas atitudes, de quem de modo intencional as provoca?. Ao que parece pouco mais de 10% é recuperado, no que diz respeito ao somatório dos valores incorrectamente pagos/subsidiados.

Quanto a mim, e na minha modesta opinião, é muito grave quando se atingem valores muito próximos dos 90%, classificados como dívida de cobrança duvidosa, primeiro porque os Serviços entregam subsídios que já não devem fazer, segundo, porque cada vez há mais pessoas a tentar ludibriar e arrecadar o que já não lhe é devido (salvo raras excepções que o possam fazer inadvertidamente).

Deste modo e sendo valores de difícil recuperação, acabarão por ser dados como perdidos.

Informa o Tribunal de Contas que, e cito: "estes valores os quais resultam, em parte, de fragilidades do sistema traduzidas em pagamentos indevidos a beneficiários - são representativos da dificuldade na recuperação dessas dívidas que só começaram a ser participadas à execução fiscal em 2014." Da dívida total, diz, apenas 35 milhões de euros, correspondentes a 5%, foram participados para execução fiscal.

Meus senhores, assim não!... 

A vida é composta de oportunidades, mas não façam delas "oportunismo descarado". Não me façam crer que o "burro" sou eu, quando e se opto pelo correcto, e que para deixar de ser "burro" tenho de entrar no mesmo mau esquema.

Não... Assim não...

Um melhor ano de 2019 para todos

(texto de opinião, escrito à margem do novo AO - 29/12/2018 AF)

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